REI UBU-KOWISKI: Fora de Ordem

quarta-feira, setembro 28, 2005

Fora de Ordem


Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
Tudo é menino e menina no olho da rua
O asfalto, a ponte o viaduto ganindo pra lua
Nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é
muito
Mais bonita e
Muito mais intensa do que no cartão postal
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna morena, a trupe intrépida em que
fluis
Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou
desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece
paz
Parece paz
Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de
nós
É muito, é muito, é total
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Meu canto esconde-se como um bando de Ianomâmis na
floresta
Na minha testa caem, vêm colocar-se plumas de um velho
cocar
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frente do
Trianon
Eu sei o que é bom
Eu não espero pelo dia em que todos os homens
concordem
Apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo
final
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial..