REI UBU-KOWISKI: Setembro 2005

quinta-feira, setembro 29, 2005

Xangô




* La libertad no es sino la capacidad de vivir las consecuencias de las propias decisiones.
* Freedom after all is simply being able to live with the consequences of your decisions.

Reality Show





Psycho Circus
Kiss

Yeah!
Hello!
Here I am!
Here we are,we are one
Well I've been waiting for this night to come
Get up!
Now it's time for me to take my place
The make-up runnin' down my face
We're exiled from the human race.

You're in the psy
You're in the psycho circus
You're in the psy
You're in the psycho circus
And I say welcome to the show.

I've been waiting here to be your guide
So come
Reveal the secrets that you keep inside
Step up!
No one leaves 'til the night is done
The amplifier starts to hum
The carnival has just begun.

You're in the psy
You're in the psycho circus
You're in the psy
You're in the psycho circus
And I say welcome to the show
Welcome to the show
Welcome to the show
show
the show

I, I've been waiting here to be your guide
Some come
Reveal the secrets that you keep inside
Step up!
No one leaves until the night is done
The amplifier starts to hum
The carinval has just begun.

You're in the psy
You're in the psycho circus
You're in the psy
You're in the psycho circus
You're in the psy
You're in the psycho circus
You're in the psy
You're in the psycho circus
And I say welcome to the show
Welcome to the show
Welcome to the show
And I say welcome to the show.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Fora de Ordem


Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
Tudo é menino e menina no olho da rua
O asfalto, a ponte o viaduto ganindo pra lua
Nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é
muito
Mais bonita e
Muito mais intensa do que no cartão postal
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna morena, a trupe intrépida em que
fluis
Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou
desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece
paz
Parece paz
Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de
nós
É muito, é muito, é total
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Meu canto esconde-se como um bando de Ianomâmis na
floresta
Na minha testa caem, vêm colocar-se plumas de um velho
cocar
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frente do
Trianon
Eu sei o que é bom
Eu não espero pelo dia em que todos os homens
concordem
Apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo
final
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial..

Jorge de Capadócia

Jorge sentou praça
na cavalaria
eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham maõs e não me toquem
Para que meus inimigos
tenham pés e não me alcacem
Para que meus inimigos
tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo o pensamento
eles possam ter para me fazeram mal
Armas de fogo
meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo
amarrar
pois eu estou vestido com as roupas e as armas de
jorge
Jorge é de capadócia

terça-feira, setembro 27, 2005

Bienvenida A Tihuana - Manu Chao


Bienvenida a Tijuana
Bienvenida mi amor
De noche a la manãna
Bienvenida mi amor

Bienvenida mamacita
I'm in ruta Babylon
Bienvenida la cena
Sopita de camaron

Calavera no llora
Serenata de amor
Calavera no llora
No tiene corazon

Por la Panamericana
Bienvenida a la aduana
Bienvenida mi suerte
A mi me gusta el verte

I wanna go to San Diego
I wanna go y no puedo
Bienvenida a Tijuana
Bienvenida la juana

Calavera no llora
Serenata de amor
Calavera no llora
No tiene corazon

Bienvenida mamacita
I'm in ruta Babylon
Bienvenida la juana
Tequila, sexo, marihuana

Vaca Profana

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"

Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha cara
Nada de leite para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas...

Luz do sol


Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde de novo
Em folha, em graça , em vida em força, em luz
Céu azul que venha até onde os pés
Tocam na terra e a terra inspira e exala seus azuis
Reza, reza o rio ,
Córrego pro rio, rio pro mar
Reza correnteza , roça a beira a doura areia
Marcha um homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza coisa mais querida-
A glória da vida
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde de novo
Em folha, em graça, em vida, em força , em luz
Reza, reza o rio
Córrego pro rio , rio pro mar
Reza correnteza roça a beira a doura areia
Marcha o homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão de infinita beleza
Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza a coisa mais querida
A glória da vida
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde de novo
Em folha , em graça, em vida, em força, em luz

segunda-feira, setembro 26, 2005

Relicário

É Uma Índia Com Colar
A Tarde Linda Que Não Quer Se Pôr
Dançam As Ilhas Sobre O Mar
Sua Cartilha Tem O "A" De Que Cor ?
O Que Esta Acontecendo?
O Mundo Está Ao Contrário E Ninguém Reparou
O Que Está Acontecendo?
Eu Estava Em Paz Quando Você Chegou
E São Dois Cílios Em Pleno Ar
Atrás Do Filho Vem O Pai E O Avô
Como Um Gatilho Sem Disparar
Você Invade Mais Um Lugar
Onde Eu Não Vou
O Que Você Está Fazendo ?
Milhões De Vasos Sem Nenhuma Flor
O Que Você Está Fazendo ?
Um Relicário Imenso Deste Amor
Corre A Lua Por que Longe Vai ?
Sobe O Dia Tão Vertical
O Horizonte Anuncia Com O Seu Vitral
Que Trocaria A Eternidade
Por Esta Noite
Por que Está Amanhecendo ?
Peço O Contrário Ver O Sol Se Por
Por que Esta Amanhecendo ?
Se Não Vou Beijar Seus Lábios
Quando Você Se For
Quem Nesse Mundo Faz O Que Há Durar
Pura Semente Dura Um Futuro Amor
Eu Sou A Chuva Pra Você Secar
Pelo Zunido Da Suas Asas Você Me Falou
O Que Está Dizendo ?
Milhões De Frases Sem Nenhuma Cor
O Que Você Está Dizendo ?
Um Relicário Imenso Deste Amor

domingo, setembro 25, 2005

Não Olhe Pra Trás






Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito
Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito
Se o que é errado ficou certo
As coisas são como elas são
Se inteligência ficou cega de tanta informação

Se não faz sentido
Discorde comigo
Não é nada de mais
São águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe
Não olhe pra trás

Você quer encontrar a solução
Sem ter nenhum problema
Insistir em se preocupar demais
Cada escolha é um dilema
Como sempre estou mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta e não procure o que perder

Se não faz sentido
Discorde comigo
Não é nada de mais
São águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe
Não olhe pra trás

Como sempre estou mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta e não procure o que perder

Se não faz sentido
Discorde comigo
Não é nada de mais
São águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe
Não olhe pra trás

Galo de Rinha - Jayme Braun




Valente galo de rinha,
guasca vestido de penas!
Quando arrastas as chilenas
No tambor de um rinhedeiro,
No teu ímpeto guerreiro
Vejo um gaúcho avançando
Ensangüentado, peleando,
No calor do entreveiro !

Pois assim como tu lutas
Frente a frente, peito nu.
Lutou também o chirú
Na conquista deste chão...
E como tu sem paixão
Em silêncio ferro a ferro,
Cala sem dar um berro
De lança firme na mão!

Evoco neste teu sangue
Que brota rubro e selvagem.
Respingando na serragem,
Do teu peito descoberto,
O guasca de campo aberto,
De poncho feito em frangalhos.
Quando riscava os atalhos
Do nosso destino incerto!

Deus te deu , como ao gaúcho
Que jamais dobra o penacho,
Essa de altivez de índio macho
Ques ostentas já quando pinto:
E a diferença que sinto
E que o guasca bem ou mal!
Só lutas por um ideal
E tu brigas por instinto!

Por isso é que numa rinha
Eu contigo sofro junto,
Ao te ver quase defunto.
De arrasto , quebrado e cego,
Como quem diz: Não me entrego!
Sou galo, morro e não grito
Cumprindo o fado maldito
Que desde a casca eu carrego!

E ao te ver morrer peleando
No teu destino cruel.
Sem dar nem pedir quartel.
Rude gaúcho emplumado.
Meio triste , encabulado,
Mil vezes me perguntei
Por que é que não me boleei
Pra morrer no teu costado?

Porque na rinha da vida
Já me bastava um empate!
Pois cheguei no arremate
Batido , sem bico e torto ..
E só me resta o conforto
Como a ti, galo de rinha
Que se alguem me
dobrar-me a espinha
Só há de ser depois de morto!

sábado, setembro 24, 2005

The American Base in Paraguay








The area that will serve of base to the 400 marineres North American in Paraguay, in the region of the Chaco counts on: - a track of landing of airplanes, with 3.800 meters of extension, constructed for technician North American in middle of years 80, to the time of Alfredo Stroessner, capable to receive aircraft from great transport (B-52, C-130 Hércules, C-5 Galaxy y KC 135, among others), super dimensionada for the necessities of the Paraguayan Air Force. Account with an enormous radar, today inactive (more of the one than inactive, inoperative, therefore it was cannibalized to keep the radar of Installation, today also inoperative), for the control of the aerial traffic, systems of nocturnal landing, equipment of fuel supplying and ample hangars. Estigarríbia marshal is the track used for the great smugglers. - one meets next to Bolivia, where at the moment if it stops an internal dispute around petróleo/gás natural, as well as each more visible day of ascension to the power of Evo Morales, that keeps narrow relations with Hugo Chávez and is on the water-bearing Guarani, one of the biggest underground water reserves exists the risk candy of Latin America.


A área que servirá de base aos 400 marineres norte-americanos no Paraguai, na região do Chaco conta com: -uma pista de pouso de aviões, com 3.800 metros de extensão, construída por técnicos norte-americanos em meados dos anos 80, ao tempo de Alfredo Stroessner, capaz de receber aeronaves de grande porte (B-52, C-130 Hércules, C-5 Galaxy y KC 135, entre outros), super dimensionada para as necessidades da Força Aérea Paraguaia. Conta com um enorme radar, hoje inativo (mais do que inativo, inoperante, pois foi canibalizado para manter o radar de Assunção, hoje também inoperante), para o controle do tráfico aéreo, sistemas de pouso noturno, equipamentos de abastecimento de combustíveis e amplos hangares. Marechal Estigarríbia é a pista utilizada pelos grandes contrabandistas. - encontra-se próxima da Bolívia, onde no momento se trava uma disputa interna em torno do petróleo/gás natural, bem como existe o risco cada dia mais visível de ascensão ao poder de Evo Morales, que mantem relações estreitas com Hugo Chávez e está sobre o aqüífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce da América Latina.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Protocol of Kyoto






While, dumb Walker(Whisky)Bush to insist on not signing the Protocol, causing the atmospheric change of the climate and phenomena; facts as Katrina and Rita will become daily. The world does not deserve so great conscience lack. It signs ANIMAL!






Private weapon of the Osama that manufactures hurricanes!!


quinta-feira, setembro 22, 2005

Tropicália

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés, os caminhões
Aponta contra os chapadões, meu nariz

Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país

Viva a bossa, sa, sa
Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça

O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga,
Estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente,
Feia e morta,
Estende a mão

Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta

No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina
E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis

Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança a um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele pões os olhos grandes sobre mim

Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma

Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém, o monumento
É bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem

Viva a banda, da, da

Balada do Louco


Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz
Se eles são bonitos
Sou Alain Delon
Se eles são famosos
Sou Napoleão
Mas louco é quem me diz e não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz!

Psycho Killer



I can't seem to face up to the facts
I'm tense and nervous can't relax
I can't sleep, bed's on fire
Don't touch me I'm a real live wire

Psycho killer, qu'est que c'est
Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Better
Run Run Run Run Run Run awaaaaaaaaay
Psycho killer, que'st que c'est

You start a conversation you can't even finish it
You're talkin' a lot but you're not sayin' anything
When I have nothing to say my lips are sealed
Say something once, why say it again?

Ce que j'ai fait, ce soir la
Ce qu'elle a dit, ce soir la
Realisant, mon espoir
Je me lance vers la gloire
We are vain and we are blind
I hate people when they're not polite

quarta-feira, setembro 21, 2005

A Rodar Mi Vida





Se me hacia tarde, ya me iba
Siempre se hace tarde en la ciudad
Cuando me di cuenta estaba vivo
Vivo para siempre de verdad

Hoy compre revistas en el metro
No pensaba en nada, nada mas
Y cai que al fin esto es un juego
Todo empieza siempre una vez mas.

Y a rodar, y a rodar, y rodar, y rodar mi vida
Y a rodar, y a rodar, y rodar, y rodar mi amor
Yo no se donde va, yo no se donde va mi vida
Yo no se donde va pero tampoco creo que sepas vos

Quiero salir, si, quiero vivir
Quiero dejar una suerte de señal
Si un corazon triste pudo ver la luz
Si hice mas liviano el peso de tu cruz
Nada mas me importa en esta vida.
Chau, hasta mañana.

Y a rodar, . . .

Si hice mas liviano el peso de tu cruz
Nadie tiene a nadie y yo te tengo aun
Dentro de mi alma, siento que me amas
Chau, hasta mañana.

O Quereres

Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres
dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo
queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem
alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha
liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco, e onde queres
romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres
eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não
vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres
cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres
ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo
eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres
tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu
sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos
dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e
rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor
me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não
queres como és

Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres
romance, rock'nroll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o
inseticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um
canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres
coqueiro eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de
mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao
quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem
ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do
que não há em mim.

Panis Et Circenses

Eu quis cantar uma canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer de puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar folhas de sonhos no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

segunda-feira, setembro 19, 2005

Haiti

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são
tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola
secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal
dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer,
qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena
capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no
feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho
habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos
pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão
pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam
os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio
a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Baladas


Nem ao menos deus por perto
Mil idéias brilham
Mas não molham meu deserto
E já faz tempo
Que eu escuto ladainhas
As minhas, as ondas do verão

Que irão bater na mesma tecla
A mesma porta
Baladas de uma época remota
Não há saídas
Só delírios de outro Midas
Lambendo a tua cruz
É ouro que reluz

Oh, mana
Não vale a pena pagar
Um centavo, um cigarro de prazer
Oh, mana
Eu quero é morrer
Bem velhinho, assim, sozinho
Ali, bebendo um vinho
E olhando a bunda de alguém


E apesar de tudo estranho
Tenho inimigos que me amam
Fantasmas
E garçonetes em Pequim
É sempre alguém
Alguém que pense em mim

Enquanto o palco acende a luz do soul
A banda passa e amassa o business-show
Romanos
Encharcados de poção
Vivemos de paixão
E alguma grana

Oh, mana
Não vale a pena pagar
Um centavo, um retalho de prazer
Oh, mana
Eu quero é morrer
Bem velhinho, assim, sozinho
Ali, bebendo um vinho
E olhando a bunda de alguém


Muito além do jardim
Viajo atrás de sombras
Não sei a quem chamar
Mas sei que ela diria ao acordar:
Tudo bem

Você me arrasou, meu bem
E qualquer dia desses como as tuas bolas
Mas por hora esqueça o drama na sacola
Não puxe o cobertor
Não tape o sol que resta nessa dor
Foi bom, não durou

Oh, mana...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Wieder Ein Heimlicher Tag



Seria o próprio tempo o absurdo do real?

Auto-conhecimento - Gibran Khalil


Então, um homem se dirigiu a ele:

Fala-nos do conhecimento de si.
E ele respondeu:
Os vossos corações conhecem, no silêncio,
os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir, no final,
o eco do saber dos vossos corações.
Gostaríeis de saber pelo verbo
o que sempre soubestes pelo pensamento.
Gostaríeis de sentir com os dedos
o corpo nu dos vossos sonhos.
E está certo que assim o queirais.
A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente
jorrar e correr, murmurando, até o mar;
e o tesouro das vossas profundezas infinitas
deve revelar-se aos vossos olhos.
Mas que não haja balança
que pese o vosso tesouro desconhecido;
e não procureis explorar os abismos do vosso saber
com a vara ou com a sonda,
pois o eu é um mar sem limites e sem medida.
Não digais: «Encontrei a verdade»,
mas antes: «Encontrei uma verdade.»
Não digais: «Encontrei o caminho da alma.»
Mas antes: «Cruzei-me com a alma no meu percurso.»
Pois a alma caminha por todas as vias.
A alma não anda sobre uma linha
nem se alonga como uma vara.
A alma abre-se a si mesma,
como se abre um lótus de incontáveis pétalas.

Xanadu - Rush

"To seek the sacred river Alph
To walk the caves of ice
To break my fast on honey dew
And drink the milk of Paradise..."

I had heard the whispered tales
Of immortality
The deepest mystery
From an ancient book. I took a clue
I scaled the frozen mountain tops
Of eastern lands unknown
Time and Man alone
Searching for the lost - Xanadu

Xanadu -

To stand within The Pleasure Dome
Decreed by Kubla Khan
To taste anew the fruits of life
The last immortal man
To find the sacred river Alph
To walk the caves of ice
Oh, I will dine on honey dew
And drink the milk of Paradise

A thousand years have come and gone
But time has passed me by
Stars stopped in the sky
Frozen in an everlasting view
Waiting for the world to end
Weary of the night
Praying for the light
Prison of the lost - Xanadu

Xanadu -

Held within The Pleasure Dome
Decreed by Kubla Khan
To taste my bitter triumph
As a mad immortal man
Nevermore shall I return
Escape these caves of ice
For I have dined on honey dew
And drunk the milk of Paradise

Cocaine - Eric Clapton

If you wanna hang out you've got to take her out; cocaine.
If you wanna get down, down on the ground; cocaine.
She don't lie, she don't lie, she don't lie; cocaine.

If you got bad news, you wanna kick them blues; cocaine.
When your day is done and you wanna run; cocaine.
She don't lie, she don't lie, she don't lie; cocaine.

If your thing is gone and you wanna ride on; cocaine.
Don't forget this fact, you can't get it back; cocaine.
She don't lie, she don't lie, she don't lie; cocaine.

She don't lie, she don't lie, she don't lie; cocaine

terça-feira, setembro 13, 2005

Gaza without microbios !




domingo, setembro 11, 2005

Setembro, 11

quarta-feira, setembro 07, 2005

Pig Jew x Cisjornia Free

Kiss of the devil

terça-feira, setembro 06, 2005

Jammin

Ooh, yeah; well, alright
We're jammin'
I wanna jam it with you
We're jammin', jammin'
And I hope you like jammin' too
Ain't no rules, ain't no vow
We can do it anyhow
I and I will see you through
'Cause every day we pay the price
We are the living sacrifice
Jammin' till the jam is through

We're jammin'
To think that jammin' was a thing of the past
We're jammin'
And I hope this jam is gonna last
No bullet can stop us now
We neither beg nor we won't bow
Neither can be bought nor sold
We all defend the right
Jah Jah children must unite
For life is worth much more than gold

We're jammin', jammin', jammin', jammin'
And we're jammin' in the name of the Lord
We're jammin', jammin', jammin', jammin'
We're jammin' right straight from yard
Singing Holy Mount Zion, Holy Mount Zion
Jah sitteth in Mount Zion and rules all creation
Yeah, we're jammin', Bop-chu-wa-wa-wa

We're jammin'
I wanna jam it with you
We're jammin', jammin', jammin', jammin'
And Jamdown hope you're jammin', too
Jah knows how much I 'ave tried
The truth cannot hide
To keep you satisfied
True love that now exists
Is the love I can't resist
So jam by my side
We're jammin', jammin', jammin', jammin'
I wanna jam it with you
We're jammin', we're jammin', we're jammin', we're jammin'
We're jammin', we're jammin', we're jammin', we're jammin'
Hope you like jammin', too.

Anybody Seen My Baby

She confessed her love to me
Then she vanished on the breeze
Trying to hold on to that
Was just impossible

She was more than beautiful
Closer to ethereal
With a kind of down to earth flavor

Close my eyes
It's three in the afternoon
Then I realize
That she's really gone for good

Anybody seen my baby
Anybody seen her around
Love has gone and made me blind
I've looked but I just can't find
She has gotten lost in the crowd

I was flippin' magazines
In that place on Mercer Street
When I thought I spotted her

Getting on a motor bike
Looking rather lady like
Didn't she just give me a wave?

Salty tears
It's three in the afternoon
Has she disappeared
Is she really gone for good

Anybody seen my baby
Anybody seen her around
If I just close my eyes
I reach out and touch the prize
Anybody seen her around

Anybody seen my baby
Anybody seen her around
If I just close my eyes
I reach out and touch the prize
Anybody seen her around

Lost, lost and never found
I must have called her a thousand times
Sometimes I think she's just in my imagination

Lost in the crowd

segunda-feira, setembro 05, 2005

Perfeição

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
JÁ aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição

Bochincho - Jaime Caetano Brown

A um bochincho - certa feita,
Fui chegando - de curioso,
Que o vicio - é que nem sarnoso,
nunca pára - nem se ajeita.
Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quireral.

Atei meu zaino - longito,
Num galho de guamirim,
Desde guri fui assim,
Não brinco nem facilito.
Em bruxas não acredito
'Pero - que las, las hay',
Sou da costa do Uruguai,
Meu velho pago querido
E por andar desprevenido
Há tanto guri sem pai.

No rancho de santa-fé,
De pau-a-pique barreado,
Num trancão de convidado
Me entreverei no banzé.
Chinaredo à bola-pé,
No ambiente fumacento,
Um candieiro, bem no centro,
Num lusco-fusco de aurora,
Pra quem chegava de fora
Pouco enxergava ali dentro!

Dei de mão numa tiangaça
Que me cruzou no costado
E já sai entreverado
Entre a poeira e a fumaça,
Oigalé china lindaça,
Morena de toda a crina,
Dessas da venta brasina,
Com cheiro de lechiguana
Que quando ergue uma pestana
Até a noite se ilumina.

Misto de diaba e de santa,
Com ares de quem é dona
E um gosto de temporona
Que traz água na garganta.
Eu me grudei na percanta
O mesmo que um carrapato
E o gaiteiro era um mulato
Que até dormindo tocava
E a gaita choramingava
Como namoro de gato!

A gaita velha gemia,
Ás vezes quase parava,
De repente se acordava
E num vanerão se perdia
E eu - contra a pele macia
Daquele corpo moreno,
Sentia o mundo pequeno,
Bombeando cheio de enlevo
Dois olhos - flores de trevo
Com respingos de sereno!

Mas o que é bom se termina
- Cumpriu-se o velho ditado,
Eu que dançava, embalado,
Nos braços doces da china
Escutei - de relancina,
Uma espécie de relincho,
Era o dono do bochincho,
Meio oitavado num canto,
Que me olhava - com espanto,
Mais sério do que um capincho!

E foi ele que se veio,
Pois era dele a pinguancha,
Bufando e abrindo cancha
Como dono de rodeio.
Quis me partir pelo meio
Num talonaço de adaga
Que - se me pega - me estraga,
Chegou levantar um cisco,
Mas não é a toa - chomisco!
Que sou de São Luiz Gonzaga!

Meio na volta do braço
Consegui tirar o talho
E quase que me atrapalho
Porque havia pouco espaço,
Mas senti o calor do aço
E o calor do aço arde,
Me levantei - sem alarde,
Por causa do desaforo
E soltei meu marca touro
Num medonho buenas-tarde!

Tenho visto coisa feia,
Tenho visto judiaria,
Mas ainda hoje me arrepia
Lembrar aquela peleia,
Talvez quem ouça - não creia,
Mas vi brotar no pescoço,
Do índio do berro grosso
Como uma cinta vermelha
E desde o beiço até a orelha
Ficou relampeando o osso!

O índio era um índio touro,
Mas até touro se ajoelha,
Cortado do beiço a orelha
Amontoou-se como um couro
E aquilo foi um estouro,
Daqueles que dava medo,
Espantou-se o chinaredo
E amigos - foi uma zoada,
Parecia até uma eguada
Disparando num varzedo!

Não há quem pinte o retrato
Dum bochincho - quando estoura,
Tinidos de adaga - espora
E gritos de desacato.
Berros de quarenta e quatro
De cada canto da sala
E a velha gaita baguala
Num vanerão pacholento,
Fazendo acompanhamento
Do turumbamba de bala!

É china que se escabela,
Redemoinhando na porta
E chiru da guampa torta
Que vem direito à janela,
Gritando - de toda guela,
Num berreiro alucinante,
Índio que não se garante,
Vendo sangue - se apavora
E se manda - campo fora,
Levando tudo por diante!

Sou crente na divindade,
Morro quando Deus quiser,
Mas amigos - se eu disser,
Até periga a verdade,
Naquela barbaridade,
De chínaredo fugindo,
De grito e bala zunindo,
O gaiteiro - alheio a tudo,
Tocava um xote clinudo,
Já quase meio dormindo!

E a coisa ia indo assim,
Balanceei a situação,
- Já quase sem munição,
Todos atirando em mim.
Qual ia ser o meu fim,
Me dei conta - de repente,
Não vou ficar pra semente,
Mas gosto de andar no mundo,
Me esperavam na do fundo,
Saí na Porta da frente...

E dali ganhei o mato,
Abaixo de tiroteio
E inda escutava o floreio
Da cordeona do mulato
E, pra encurtar o relato,
Me bandeei pra o outro lado,
Cruzei o Uruguai, a nado,
Que o meu zaino era um capincho
E a história desse bochincho
Faz parte do meu passado!

E a china - essa pergunta me é feita
A cada vez que declamo
É uma coisa que reclamo
Porque não acho direita
Considero uma desfeita
Que compreender não consigo,
Eu, no medonho perigo
Duma situação brasina
Todos perguntam da china
E ninguém se importa comigo!

E a china - eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande - por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou - talvez - nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas - que se banha nua
No espelho das aguadas!

domingo, setembro 04, 2005

Andrea Doria

Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim -
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.
Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.
Nada mais vai me ferir.
É que já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
com sei que tens também...

sábado, setembro 03, 2005

Águas de março - Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

Fio duma vaca cum asno






Que País é Este?


Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é este
No Amazonas, no Araguaia iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o
sangue anda solto
Manchando papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é este
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios em um leilão
Que país é este

Stupid New England

quinta-feira, setembro 01, 2005

As cartas caem...