REI UBU-KOWISKI: Junho 2005

quinta-feira, junho 23, 2005

Explicações contrariam questões

Esforça-se para executar absolutamente nada num circo onde o trapezista faz o papel do palhaço e o palhaço é o mágico ( o circo pega fogo e o palhaço morre queimado).

Duvido
de vida
dividida
em dívidas.

quarta-feira, junho 08, 2005

Idade média ( Fatos são melhores que sonhos )

O amor, tendo abusado dos olhos como verdadeiros espiões e porteiros da alma, deixa-se deslizar docemente por um par da canais e caminha incensivelmente pelas veias até o fígado, imprime subitamente um desejo ardente da coisa que é realmente ou parece amável, acende a concupiscência e por este desejo começa toda a sedição (...). Vai diretamente ganhar a cidadela do coração, o qual, estando uma vez assegurado como o mais forte lugar, ataca depois tão vivamente a razão e todas as potências nobres do cérebro que ela se sujeita e se torna totalmente escrava.

Significados sem signos

Mais complexa do que a vida, que todos temos e, mais ou menos sabemos o que é (ao contrário da morte), está a maior e mais angustiada dúvida do ser humano: Qual é o significado da vida? Desde que foi feito do barro (!) pelo Todo-Poderoso, e este, por esquecimento, ciúme ou sacanagem, esqueceu de explicar prá quê, o mistério existe.

sábado, junho 04, 2005

Viajar

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livro ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser. Que noz faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir e ver.

Vírus da mente: Memes?

Assim como os genes são unidades auto-replicadoras que passam de uma geração para outra, também os "memes" seriam capazes de replicar a si mesmos e passar de uma mente para outra . Esse conceito é útil e se explica porque uma idéia em particular se disseminou. Um "meme" pode ser uma idéia científica, uma melodia, um poema, e nesse caso ele se dissemina por seus méritos. A religião seria um memeplexo, isto é, um conjunto de "memes" que costumam florescer na presença uns dos outros, tal como acontece com certos complexos de genes. Mas, ao contrário dos bons "memes" , a religião não se dissemina porque é útil. Ela salta de uma mente para outra como uma infecção, ou como um vírus de computador, que só se propága porque traz embutida uma instrução codificada:
"Espalhe-me."
Quanto mais educação houver, mais teremos discussões racionais e pensamento inteligente, e mais difícil será para a religião sobreviver. Se uma demanda é por reverência e espanto diante da vida e do universo, a ciência pode satisfazê-la. Se a demanda é por conforto diante da morte, então talvez a ciência não possa satisfazê-la. A verdade é bela em si mesma.
Seja como for, reconhecer que existam necessidades pessoais ou coletivas atendidas pela religião não equivale a dizer, de maneira nenhuma, que exista verdade nas concepções religiosas. Questões sobre o que é verdade ou errado não comportam verdades absolutas. São matéria de julgamento e ponderação.

sexta-feira, junho 03, 2005

Deus ou Darwin?

Postular a existência de um Deus que criou a vida é o tipo de idéia que só complica as coisas. É um raciocínio contraprodutivo, pois traz a necessidade adicional de explicar a existência desse ser. A partir de elementos muito simples, a seleção natural mostra como e por que a natureza abriga a imensa complexidade, a imensa variedade dos seres vivos existentes. Esse é o poder desse conceito. Com ou sem um ser divino no início de tudo, a seleção natural ainda teria a mesma capacidade de explicar o funcionamento da natureza.