REI UBU-KOWISKI: Vapores Marroquinos

sábado, abril 30, 2005

Vapores Marroquinos

"Quando eu morri em dezembro de 1972, esperava ressucitar e juntar os pedaços da minha cabeça um tempo depois, um psiquiatra disse que eu forçasse a barra e me esforçasse para voltar a vida e eu parei de tomar ácido lisérgico e fiquei quieto, lambendo minha própria ferida. E sem saber se era crime ou castigo ou se havia outro cordão no meu umbigo para de novo arrebentar, pois, eu fui puxado a ferro, arrancado do útero materno e apanhei para poder chorar. Quando eu morri suando frio, vi Jimmy Hendrix tocando nuvens distorcidas e eu nem consegui falar e depois por um momento o céu virou fragmento no inferno em que eu tive de entrar. E eu sentia tanto medo só queria dormir cedo para noite passar depressa e não poder me agarrar; noites de garras de aço me cortavam em mil pedaços e noutro dia eu tinha que me remendar. E se a vida pede a morte, talvez seja, muita sorte eu ainda estar aqui. E a cada beijo do desejo, eu me entorpeço e me esqueço de tudo que eu ainda não entendi."
R. Seixas