REI UBU-KOWISKI: Quando eu escrevo desconstruindo

sábado, abril 23, 2005

Quando eu escrevo desconstruindo

Escute, malandro: Um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, solitário e faminto.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é cortar o cabelo quando o dinheiro falta. Difícil prá quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos e sair por aí, ainda por cima sorridente mestre "herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.
_ É um reecontro com as letras que a muito abandonara. É o meu exercício de redação, é o suor de minh'alma, é a depuração da minha história numa auditoria comigo mesmo_ tenho a vida toda pela frente para como réu julgar-me pelo juíz de minha consciência e sentenciar-me culpado ou inocente, ou... os dois. E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar e... eu arrisquei, só que bifurcação de estrada errada e mesmo pegando o ônibus de retorno, não sei se ainda haverá tempo de chegar a tempo.
NOTA: Leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi.