REI UBU-KOWISKI: Abril 2005

sábado, abril 30, 2005

Vapores Marroquinos

"Quando eu morri em dezembro de 1972, esperava ressucitar e juntar os pedaços da minha cabeça um tempo depois, um psiquiatra disse que eu forçasse a barra e me esforçasse para voltar a vida e eu parei de tomar ácido lisérgico e fiquei quieto, lambendo minha própria ferida. E sem saber se era crime ou castigo ou se havia outro cordão no meu umbigo para de novo arrebentar, pois, eu fui puxado a ferro, arrancado do útero materno e apanhei para poder chorar. Quando eu morri suando frio, vi Jimmy Hendrix tocando nuvens distorcidas e eu nem consegui falar e depois por um momento o céu virou fragmento no inferno em que eu tive de entrar. E eu sentia tanto medo só queria dormir cedo para noite passar depressa e não poder me agarrar; noites de garras de aço me cortavam em mil pedaços e noutro dia eu tinha que me remendar. E se a vida pede a morte, talvez seja, muita sorte eu ainda estar aqui. E a cada beijo do desejo, eu me entorpeço e me esqueço de tudo que eu ainda não entendi."
R. Seixas

terça-feira, abril 26, 2005

White Grass

Anos roubados pelo mal,
vácuo de páginas brancas;
anjo caído em cena
de miséria vivida.

Olhando pessoa por pessoa
em ânimos de muros caídos;
trabalhando com mão na construção
e, noutra com espada em luta.

Nunca se perdeu; pois, nunca se teve;
e revendo a miséria,
olhar para traz e dizer:
- Minha vida mudou!

domingo, abril 24, 2005

Um dia, um adeus

"Só você para dar a minha vida direção,
o tom, a cor; me fez voltar a ver
a luz; estrela no deserto a me guiar,
farol no mar das incertezas.
Um dia e um adeus e eu indo embora,
tanta loucura por tão pouca aventura;
agora, entendo que andei perdido.
O que faço para você me perdoar?
Ah! Que bom seria se eu podesse
te abraçar, beijar, sentir como a primeira vez;
te dar o carinho que você merece ter
e eu sei te amar como ninguém mais;
como ninguém jamais te amou como... eu.

À...

" Solidão a dois de dia
faz calor depois faz frio
você diz já foi
e eu concordo contigo.
Você sai de perto
e eu penso em homicídio
mas, no fundo eu nem ligo.
Eu queria ter uma bomba
um flit paralisante qualquer
pra poder te negar bem no último instante.
Meu mundo que você não vê,
meu sonho que você não crê."
Cazuza

Pensares

O aqui e agora passa a ser objeto de uma reflexão constante. A existência humana não precida de justificativa.
[Heidegger]

É preciso afirmar a existência e tornar o homem mais forte.
[Nietzche]

Concepção dialética do absoluto.
[Hegel]

O mundo é minha representação.
[Schopenhauer]

Os seres que existem são modos de Deus.
[Spinoza]

Reflexões acerca do poderado e do poder.
[Maquiavel]

sábado, abril 23, 2005

www.vivofeliz.com.jesus

Deus não dá autógrafo
no prefácio do labrusco,
escreve-o torto
em linhas certas
mas, com lápis errado
de ponta quebrada
nos becos,
e do jeito que vai
de seu peito não esvai
sangue,mas, vinho seco.

Com a medida que vos medir, serás medido

Não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase.

O que quer dizer diz
não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz;
não fica só querendo, querendo.

Tempo lento,
espaço rápido,
quanto mais penso,
menos capto.
Só não pego isso
que me passa no íntimo,
importa muito?
Rapto o ritmo.
Espaço tempo ávido,
lento espaço dentro,
quando me aproximo,
simplesmente me desfaço,
apenas o mínimo,
em matéria de máximo.

Prazer
da pura percepção
os sentidos
sejam a crítica
da razão.

Eu prefácio eu/ Gênesis

::Mariana_ ingenua mocinha do interior_ estava impaciente à espera de sua sorte; de algo que a tirasse do tédio a que tornara sua vida.
Dizia: - Dentre os três pretendentes aquele que surgir primeiro, nesta tarde, é com ele que eu vou ao cinema... e a vida viver. [roleta?, jogo?, poesia?, surrealismo?, estupidez?inocência?ingenuidade?].
Sagrada realeza eis que ao iniciar da tarde dobra a esquina, Dorico (o mais miserável), sublime construtor de arranha-céus, pedreiro de primeira, grão-mestre do prumo.
Dava-se ali, o ínicio da trilogia sem graça, o jogo sem cartas honestas, do baralho marcado, de cartas repetidas. Mentiras e trapaças sem graça e nem caráter.
O amor sobre certos aspectos é por demais mentiroso e enganador. Cega. Tira fibra por fibra de cada esperança e, Mariana não sabia disto; havia feito a si mesmo, autodidata da vida. Órfã de pai e mãe, quase não lha sobrara tempo a aprender as coisas da vida. Vivendo entre irmãos e primos, quase não pode estudar, aprendera o ofício de ser empregada doméstica ao trabalhar para casas de família e, o que fez quase não a preparara para, no mínimo, assinar ou desenhar seu nome ou unir as letras.
Dorico, por sua vez em nada em distiguia-o em desgraça e miséria; mesmo desgraçado jogado à própria sorte_ um cachorro sem dono. Mais um na estatística do censo.

Interioranos, que pensavam dominar tudo e a todos; quando, nem de si sabiam e do pouco que o divino lhes intendeu(sic), certamente, lhes dava como pouco as armas: bolinhas de papel contra um arsenal de pesado armamento.
Viveram suas angústias e misérias da mediocridade, da mesmice, do feijão com arroz e ovo frito; contas a pagar; pobreza a dividir; riqueza a construir sem sorte, sem foco, sem objetivo. Encontros e desencontros numa linguagem desconexa de ambições e destinos desejados. Nasceu um , depois outro e... o terceiro foi por acidente, como que, para salvar o que já nem mais sobrevivia; quase que vegetava.

Dois inocentes jogados na vida para depois ver no que daria seus erros; o desejo da união plena, de morrerem juntos, acordarem juntos, comungarem das mesmas histórias [divagações, divagações].
Mas, a verdade é que deles outros vieram: netos, noras, genros, sobrinhos adolescentes e problemáticos. As rugas, os cabelos brancos, as artrites, a pressão arterial, nervos ciáticos e... o tempo passado. Será que ainda se lembram daquela tarde no cinema agora que, separados a anos, foram viver outras vidas e outras histórias para narrar?
Justificam-se como inocentes em sua juventude, mas, que herança deixaram a não ser cicatrizes mal curadas.
Mesmo que façam auditorias em suas vidas, nada,mas, nada curar-lhe-ás as chagas ainda expostas em carne viva de suas almas!
Cobrar de quem? Quem pagará pelo infortunado destino? Infecundo compreender.
Terra com sal.

Viva o Bom Fim! Amsterdam-via-Paris

As palmeiras já me conhecem, dizem: - Lá vem aquele mala celerado!;
Que nada! São íntimas amigas de meu caminhar de já meu longo caminhar.
Os passos que passei a circular por entre a vida de me distingue dentre os sentados de frente à televisão. Como a poeira das estradas e que as vejo em infinita distância; mas, que tenho de iniciá-las ao caminhar. Penso ser este meu caminho: nascer só e o de morrer só.
Ando admirado com novas mídias de expressão, novas possibilidades de atualização. Ando admirado comigo mesmo, ando mais centrado, prudente nas falas. Creio estar na idade da razão; coisas que antigamente eu descerebradamente jogava para ao alto, hoje, dificilmente me tira do sério.
Detesto hipócritas, estúpidos mal intencionados; julgando-se exímios jogadores na arte de viver. Sou bonfiniano, por excelência; ando flertando com a música eletrônica_ uma maravilha_. Viver é bom.
Como esses dias falei pro "Véia Maria": - Sou feliz, o que falta é este canalha dinheiro. Que não compra felicidade, mas, manda buscá-la ou se não traz felicidade, prefiro ser triste em Paris!

Procurando emoções baratas em lugares equivocados

Ando circulando por espaços tão distintos, que, às vezes, me questiono se há algum lugar que seja meu. O ambiente nós é que fazemos. Sou um andarilho de emoções desconexas não com a realidade, mas, com o meu possível. Ambiciono coisas mais fortes do que sua própria realização_ frustra um pouco_ mas, continuo a exigir que as coisas se realizem, mesmo que, a forceps! Tenho vontade de escrever minha história...

Anjo Torto

Quando pode ser onde,
onde é quando.

Repare se estou errado e/ou sublime olhar de contemplação, imaginando, equilíbrio do mundo sem Deus

Louvando o que bem merece,
deixo o que é ruim de lado,
e louvo, prá começar,
da vida o que é bem maior:
louvo a esperança da gente
na vida, prá ser melhor.
Quem espera sempre alcança,
salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
que, pra melhor esperar,
procede bem quem não pára
de sempre, mais trabalhar.
Que só espera sentado
quem se acha conformado.
Quem tiver me escutando
que me escute com cuidado
louvando o que bem merece
deixo o que é ruim de lado.
Louvo agora e louvo sempre
o que grande sempre é:
Louvo a força do homem
e a beleza da mulher,
louvo a paz prá haver na terra,
louvo o amor que espanta a guerra,
louvo a amizade do amigo,
que comigo há de morrer,
louvo a vida merecida.
De quem morrer prá viver,
louvo a vida repetida
da vida, prá não morrer.

Quando eu escrevo desconstruindo

Escute, malandro: Um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, solitário e faminto.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é cortar o cabelo quando o dinheiro falta. Difícil prá quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos e sair por aí, ainda por cima sorridente mestre "herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.
_ É um reecontro com as letras que a muito abandonara. É o meu exercício de redação, é o suor de minh'alma, é a depuração da minha história numa auditoria comigo mesmo_ tenho a vida toda pela frente para como réu julgar-me pelo juíz de minha consciência e sentenciar-me culpado ou inocente, ou... os dois. E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar e... eu arrisquei, só que bifurcação de estrada errada e mesmo pegando o ônibus de retorno, não sei se ainda haverá tempo de chegar a tempo.
NOTA: Leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi.

quinta-feira, abril 21, 2005

Vivo!

Ultimamente ando deixando as coisas acontecerem ao sabor do acaso; pois, há coisas muito superiores aos meus desejos. E, como não tenho força suficiente em mim para suplantá-los, resolvo-os ignorando-os. A anos busco a plena sintonia entre os meus desejos e ambições para com os destinos da vida para fora de minha porta de casa. É um embate constante, até mesmo, invisível e imperceptível, mas, ele está ali a te afrontar, a te desafiar constantemente.

Bem vinda a vida!

"Há muito tempo você anda em círculos,
já nem se lembra quando foi que partiu,
tantos desejos soprados pelo vento,
se espatifaram quando o vento sumiu.
Você vendeu sua alma ao acaso
que por descaso estava ali de bobeira
e em troca recebeu os pedaços
cacos de vida de uma vida inteira.
Você cruzou todas as fronteiras
não sabe mais em que lado ficou
e ainda tenta e ainda procura
por um tempo que faz tempo passou.
Agora é noite na sua existência
cuja essência perdeu o lugar;
talvez esteja aí pelos cantos,
mas, está escuro para poder encontrar." R. Seixas

Caminho

Ando com passos lentos de medo por todos os caminhos dos meus olhos já tão cansados. Há uma lentidão de idéias que se perpetuam a cada decisão.
Uma ânsia por novos caminhos, novos horizontes nunca dantes navegados.

A vida eletrônica! Eletronic Life in the Drum and Bass!

P. A.
Os caracteres sui-generis de todas as órbitas rasantes que passam por entre meus olhos desaguam em plena submissão dos sentidos que tornamos a pensar a cada dia em que acordamos e damos graças de ter mais um dia para corrigir o que não fizemos antes. São signos e palavras conexas que armam toda uma cena para ser descontruída e depois rearmada. É para pensar!

Hic!(sic)




Poetílicos,
poeminhas.
Pô! Éticos,
poemeus.